Actualmente, a sociedade (todos nós: jovens e graúdos), motivada por pecados escondidos, defeitos físicos, oportunismos, dificuldades em socializar ou até por carências afectivas (dos pais e ou de amigos), usamos as redes sociais para nos sentirmos vivos; mesmo que esse sentimento esteja contaminado de incertezas, mentiras e sonhos recalcados por anos de incompreensão.A vida virtual é sempre melhor que vida nenhuma; um e-mail ou uma conversa escrita no Twitter, no MSN ou noutro qualquer programa informático vocacionado para o convívio à distância, mesmo que seja conspurcado de inverdades e até de armadilhas, é sempre um bálsamo apaziguador para mentes recheadas de dúvidas e contaminadas de incertezas sobre as questões da vida e dum futuro que não perspectiva nada de risonho.
Os desconhecidos: esses fisicamente longínquos personagens mas, tão perto e disponíveis a qualquer hora do dia (e da noite), já substituíram a família sem que esta se aperceba que as poucas (quase nenhumas) horas em que há um contacto visual, este só serve para um cumprimento frugal (beijo fugidio) de até logo e nunca para o diálogo interessado e necessário sobre o dia-a-dia: a dúvida, a incerteza, a perspectivas de futuro, os sonhos, os projectos e as recaídas sistemáticas por falta de apoio presencial de alguém que nos ama mas não nos compreende (pensam eles, jovens de hoje). O conflito de gerações será assim tão real (e desprezível) que faça com que os nossos jovens o levem à letra sem se questionarem que poderá haver mais perdas que ganhos? Não serão os pais os mais interessados em que os seus imberbes descendentes tenham um trajecto de crescimento cultural e social saudáveis? Penso que sim mas há sempre excepções que mancham atrozmente o que deveria ser uma relação aberta, franca e direccionada para o bem-estar presente e futuro da família no seu todo; refiro-me ao recente caso em que uma adolescente é brutalmente agredida por colegas (ex amigas): a mãe só apresenta queixa judicial depois de todo este caso ser do domínio público mas, o que mais a ofende é ser referida como sendo “prostituta” e não “triper”; a PGD afirma não ter técnicos apetrechados com saber informático para lidar com casos semelhantes, pergunto se as polícias (PJ, GNR e PSP) não estarão disponíveis para saldar esta pecha? A sabedoria popular diria “a desculpa é mau pagador”. Se o “paspalho” que colocou este caso na Net tivesse antes um vislumbre de lucidez intelectual poderia ter evitado uma agressão violenta e anti-natura (ou talvez não para alguns/muitos) e nunca incentivando os interlocutores na continuidade das agressões mas, o suposto realizador não se coibiu de filmar e posteriormente colocar a gravação no “mundo virtual” no intuito de receber posteriormente aplausos e visionamentos em números de muitos dígitos, elevando o seu ego ao cume da popularidade internauta:
- Sou o maior!!!
Tudo serve para exibirmos cínica e narcisistamente as nossas acções; o mundo está ávido de conhecer o mundo real através do “mundo do faz de conta” onde a verdade perde todo o sentido e a imaginação não tem limites tornando difícil percebermos onde está a verdadeira transparência de atitudes. Os amigos -supostamente- reais são adversários gananciosos que se alimentam das nossas fraquezas e deslumbramentos dum determinado momento (fotos e vídeos comprometedores com ex namorados). A devassa da privacidade é tão real e efectiva que não surpreende a ninguém a sua publicitação em praça pública (global), nem àqueles que são “queimados” por tal vilania e intromissão na sua vida pessoal.
O réu será sempre inocente até passar em julgado (condenado em audiência) mas, a opinião pública já antecipadamente fez o seu julgamento porque o segredo de justiça está sempre em igualdade proporcionalidade com a honestidade dos funcionários judiciais: juízes, MP, secretários e todos os outros que não devendo, têm acesso aos processos!
Os sentir os cheiros, o palpitar das emoções, o ver olhos nos olhos o que caminha lá no fundo de nós mesmos, no nosso interior mais íntimo, estão ausentes e vedados quando o relacionamento civilizacional é consumado entre as redes sociais. A rouquidão, a transpiração e o tremer natural do momento, só são sentidas quando inalamos o aroma natural dos pensamentos e acções de quem connosco verdadeiramente convive e nunca num qualquer visionamento mais ou menos ficcionado por uma Webcam.


